PESSOAS
Cynthia Delgado and Susana Garibay, Sobre o Romance
Há quanto tempo vocês estão em Nova York e o que trouxe vocês para cá — e fez com que permanecessem?
Cy: Estou em Nova York há oito anos (!) e agora, neste outono, começo o meu nono. Vim para cá fazer meu doutorado, que concluí no departamento de Performance Studies da NYU. Nova York não foi necessariamente sempre um “sonho” para mim, mas definitivamente se tornou um lar. É o lugar em que vivi por mais tempo em toda a minha vida.
Sus: Cheguei a Nova York no verão de 2018 para começar meu doutorado na New School. Vou ser romântica e dizer que o que me trouxe para cá foi o amor. Haha. Se eu não tivesse sido aceita no doutorado em Nova York, nós não estaríamos juntas agora.
Onde vocês duas se conheceram?
Sus: Nos conhecemos na Cidade do México através de amigos de amigos (o mundo lésbico é realmente pequeno). Fui eu que dei o primeiro passo e começamos a nos ver pelos quatro meses seguintes, até que a Cynthia foi para Londres fazer o doutorado. Por sorte, consegui uma grande bolsa do governo do Reino Unido para fazer meu mestrado em Londres também, então nosso relacionamento continuou no exterior.
Cy: Haha. A parte fofa da história para mim, porém, que só descobri recentemente, é que nesse período entre os cursos de pós-graduação, a Sus largou o emprego e usou todo o dinheiro que recebeu do último salário para vir a Londres me ver.
Quais são suas maneiras favoritas de usar as suas foutas?
Cy: Elas são tão versáteis, usamos para muitas coisas. Mas acho que meu uso favorito e mais comum é como lenço ou xale — não só é perfeito para estações de transição (quando você não consegue decidir se está frio ou calor), mas também é fácil de tirar e usar como cobertor para sentar no parque e ler um livro. Minhas foutas de linho são ótimas para isso!
Sus: Eu uso minha fouta principalmente na praia. Gosto de ser prática e levar o mínimo possível quando vou à praia, então a fouta é o item perfeito para levar comigo. Além disso, você sempre fica bem e estilosa usando uma fouta da Fouta Harissa ;)
Vocês tiveram ou se lembram de algo equivalente à fouta quando eram crianças?
Cy: Gosto de pensar que “cresci” com foutas — só porque sou muito apegada ao tempo que passei vivendo na Tunísia — mas a resposta honesta é que eu as descobri lá (e era no ensino médio, então não cresci exatamente com elas). Não acho que eu tivesse nada parecido com uma fouta antes, no sentido de um tecido que pode servir para tantas coisas ao mesmo tempo. Existiam os zarapes, mas eles são para o frio (ou talvez para um piquenique, se você for flexível), e existem os rebozos para se proteger do frio — mas nenhum deles é leve nem parecido com uma toalha. Então, a resposta curta é não.
Sus: Igual. Acho que não temos uma peça equivalente no México.
Quais são os objetos artesanais mais preciosos da sua casa?
Sus & Cy: Acho que, sem dúvida, nosso objeto artesanal favorito em conjunto é uma pintura que temos pendurada na sala, da artista mexicana Alicia Ayanegui. Já acompanhávamos o trabalho dela há algum tempo e gostávamos muito, então essa foi nossa lembrança de casamento para nós mesmas.
Cy: Também tenho uma xícara de café pequena e roxa que uma ex-colega fez para mim quando estávamos aprendendo a usar o torno de cerâmica na escola onde ensinávamos, em 2014. Eu a uso quase todos os dias.
Qual é a comida que vocês preparam com mais frequência na cozinha de vocês?
Cy: Acho que somos bem mexicanos no nosso estilo de alimentação do dia a dia. Na geladeira sempre tem tortillas, queijo e feijão caseiro para refogar e fazer quesadillas. E, ultimamente, preparo salsita verde fresca pelo menos uma vez por semana para garantir que comamos como deve ser! Mas isso é para os casos de emergência, um prato rápido. Também cozinhamos pratos mais elaborados: adoro fazer chiles rellenos com um molho vermelho de tomate e chipotle, por exemplo. E quando o tempo está bom, vamos ao mercado de agricultores comprar peixe fresco para a Sus preparar o melhor ceviche de todos. Na verdade, ela é a cozinheira superior — a pasta puttanesca dela é a minha favorita.
Sus: Eu também faço deliciosos huevos a la mexicana usando a receita do meu pai!
Quais livros estão na sua mesa de cabeceira no momento?
Cy: Mais do que deveria. Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf (porque recentemente ensinei Orlando), Stars Down to Earth, de Theodor Adorno, Perras de Reserva, de Dahlia de la Cerda, e no meu tablet estou na metade de The Bluest Eye, de Toni Morrison.
Sus: Eu geralmente não leio na cama. Mas tenho vários livros de história e teoria inacabados na minha mesa (dissertação!), por exemplo, Globalists, de Quinn Slobodian, e Misplaced Ideas?, de Elias Palti. O único romance que estou lendo no momento é Jazz, de Toni Morrison.
Falando em livros, Cy, você recentemente concluiu seu doutorado na NYU e agora está trabalhando no seu próprio livro. Pode nos contar um pouco sobre o foco da sua pesquisa?
Sim — estou escrevendo um livro sobreperformance transfeminista na Cidade do México, no qual reflito sobre espaço, gênero, sexualidade, performance, arte e vida cotidiana junto ao trabalho de cinco artistas contemporâneos queer e trans incríveis. Escrevo sobreespaços intersticiais, a vida cotidiana enquanto se cruza com a arte e com as políticas de gênero e sexualidade.
Qual é a primeira coisa que vocês costumam fazer quando voltam ao México, depois de algum tempo fora?
COMER.Vamos pegar tacos e frutos do maro mais rápido possível. A segunda coisa édar uma caminhada no nosso antigo bairro, Condesa/Roma (mesmo diferente de como é agora!).
Cy, o que você mais espera ao visitar a Tunísia novamente?
Lamia (minha melhor amiga desde o ensino médio e também cofundadora da Fouta Harissa), Sidi Bou Said, thé aux pignons (chá de hortelã com pinhões), harissa o dia todo, a vista do Mediterrâneo, Celtia (cerveja local), lubia do Boulbaba (molho tunisiano de tomate e feijão do pai da Lamia), a arquitetura, e, claro, conhecer mais a cena artística.
Sus, há algo em particular que despertaria sua curiosidade para visitar a Tunísia?
A comida!!! E a história do país.(E o hammam, haha).
PERGUNTAS RELÂMPAGO
1. Última saída para ver arte na cidade?
“The Harlem Renaissance and Transatlantic Modernism” no MET (e também fomos ver a peça Appropriatena Broadway e conseguimos ir aos bastidores — o que foi uma experiência incrível e inédita!).
2. Seus 3 lugares favoritos no bairro?
LaLou Wine Bar, Gold Star Beer Counter e Barboncino Pizzeria.
3. Sua(s) livraria(s) favorita(s) em Nova York?
The Strand, Greenlight e Bluestockings.
4. Vocês gostam de Harissa? Qual a forma preferida de comê-la?
Cy: SIM, sou obcecada! Sou tradicionalista: gosto dela pura, com azeite, atum e pão.
5. Seus 3 itens indispensáveis na bolsa de praia?
Cy: Além da fouta? Óculos de sol, garrafa de água, protetor solar e um livro. (Desculpa, são quatro).