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PERFIL FH | Shiraz Fradi
Compartilhe conosco uma história especial com uma Fouta — uma primeira lembrança usando uma fouta, uma memória de família ou da infância que tenha marcado você.
Nasci e cresci em uma pequena vila chamada Kalâa Kebira, que hoje é uma cidade, e venho de uma família de agricultores. Para mim, a fouta nunca teve relação com praia ou verão, pelo contrário. Para mim, era um acessório de inverno: a gente a tirava nessa época, durante a colheita das azeitonas, quando as mulheres usavam a fouta para proteger suas roupas das manchas de azeite.
Além disso, a fouta era o tecido que colocávamos sobre a mesa para deixá-la bonita. Para mim, a fouta era o acessório típico de inverno. E então descobri que, para algumas pessoas, a fouta é um acessório de verão. Acho que tinha uns 16 ou 17 anos quando fui para Túnis, para a praia em La Marsa, e de repente vi pessoas tirando suas foutas, e pensei: isso é realmente estranho.
Então essa é a minha história complicada com a fouta… Quando saí da minha vila e fui para Túnis, comecei a ver as coisas de outra maneira, e a fouta foi uma delas.
Como você estilizaria as foutas que fotografamos?
Quando nos encontramos em São Paulo, Lamia (cofundadora da FH) estava usando a fouta como um cachecol, e eu fiquei encantada com isso! Foi um choque para mim, porque é apenas uma fouta, mas de repente ela se tornou outra coisa, tão bonita e elegante. Então, definitivamente, a fouta Glow, eu a usaria como um cachecol — bem grande! Especialmente agora que estou me mudando para Viena, vai ser muito útil.
Quais são os três itens essenciais que você precisa ter na sua cesta de praia quando leva sua família à praia?
Muito simples: protetor solar, fouta e água. É só isso. Nunca, jamais, sem esses três itens.
Você gosta de Harissa? Souri ou 3arbi?
É assim que eu gosto de comer harissa 3arbi: em um sanduíche com pão muito bom, atum (atum tunisiano, é claro), limão conservado, fatias de tomate, um pouco de cebola e bastante azeite. Para mim, esse é absolutamente o melhor sanduíche.
Então, a harissa pode ser muito, muito boa, mas precisa estar no lugar certo, caso contrário vira uma bagunça! Por exemplo, eu odeio cozinhar com harissa, porque quando você cozinha com ela, o prato só tem gosto de harissa; você não sente o sabor dos vegetais, nem da carne, e nem consegue diferenciar peixe de frango. O sabor é tão forte que, ao cozinhar com ela, domina tudo e estraga seu paladar.
Quando você descobriu seu amor por tecidos/moda?
Vindo do Sahel, você sempre terá pelo menos um membro da família trabalhando na indústria têxtil. [O Sahel é a região onde está localizada a maior parte da indústria têxtil, uma das atividades mais importantes do país, na Tunísia]. Meu pai era gerente de uma grande fábrica na época, em Sousse, então cresci passando meus verões na fábrica, ajudando as meninas de lá e vendo como um pequeno pedaço de tecido poderia se transformar em algo completamente diferente. Todo o processo me impressionava. Tudo começa com uma caneta: desenhar, recortar um papel, escolher o tecido e confeccionar roupas.
Em casa, eu tentava produzir a mesma coisa do que via na fábrica. Usava o que aprendia para cortar minhas próprias roupas e criar algo diferente, o que era muito divertido para mim, mas não muito divertido para minha mãe.
Demorei um tempo para entender o que eu realmente amava. Quando era adolescente, queria coisas complicadas, colocava várias camadas de roupa para parecer estilosa. Hoje, uso coisas muito simples, com um corte único, bem minimalista. Isso muda com a idade, com suas necessidades e com a forma como você vê o mundo. Na adolescência, buscava personalidade, tentando entender quem eu era, lutando com a sociedade e mostrando alto e bom som que podia me vestir como quisesse e fazer o que quisesse com meu corpo. Meu estilo era muito provocativo para a sociedade em que vivia, e as pessoas não gostavam, mas tanto faz.
Depois você cresce e não está mais lutando com ninguém. Eu sou quem eu sou, posso me vestir como quero e não sinto necessidade de provar nada a ninguém. Hoje, busco apenas peças simples e muito, muito confortáveis; a palavra-chave é conforto. Linho definitivamente é um dos meus tecidos favoritos de todos os tempos.
O que você está lendo para seus filhos neste momento?
O mesmo livro que venho lendo todas as noites há meses! Layan pega um livro e quer ler o mesmo repetidamente, uma e outra vez. Às vezes é um pouco difícil para mim, porque fico tipo: “Ai, estou entediada, crianças! Estou lendo as mesmas palavras!” Layan já decorou tudo de cor. Quando eu viro a página, ela começa a “ler” porque já decorou.
O livro é sobre Frida Kahlo, da coleção Little People Big Dreams. O novo favorito é sobre Coco Chanel — ou “Coco Kanel”, como Layan diz. Eles estão em alemão e inglês, então imaginem a mistura de idiomas!
Para Kawn, o favorito nos últimos três meses é Le Mouton, de Zena Rached. Ele tem muitos sons que a ovelha faz e que eu preciso repetir várias vezes, então ele se diverte muito com isso.